Aqui em casa tem muito barulho. Eu me sinto irritada e sobrecarregada de informação sensorial quando não tenho espaço pro meu silêncio. Não consigo pensar.
Também não suporto o som alto da TV na sala reverberando vozes que eu não quero ouvir, dando opiniões com as quais eu não concordo, mas que não posso discordar porque o dono da voz tem o monopólio do discurso. É muito poder pra deixar nas mãos de formadores de opiniões ruins.
Mas não quero chatear meus pais.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Diário de depressão 8
Me sinto paralisada. Quero fazer alguma coisa, mas é como se minha cabeça não conseguisse se decidir por estar muito confusa e sobrecarregada de informação, então eu fico inerte, mas ficar assim também me deixa ansiosa e com dores no corpo.
Vim postar aqui pra ver se alivia um pouco minha auto culpabilização por não estar fazendo nada.
Vim postar aqui pra ver se alivia um pouco minha auto culpabilização por não estar fazendo nada.
Diário de depressão 7
Tem sido difícil escrever aqui. Precisa de uma pequena dose de motivação, e até isso tem me faltado.
Meu cachorro morreu mês passado. Sinto muita falta dele. Lembro quando ele pedia, dando pulinhos, pra eu colocá-lo em cima da cama. Mas se antes a memória era vívida, hoje ela já é embaçada e um pouco vaga. Ao mesmo tempo que isso me traz a paz da aceitação da morte dele, também me traz tristeza, porque percebo que estou esquecendo-o.
Meu cachorro morreu mês passado. Sinto muita falta dele. Lembro quando ele pedia, dando pulinhos, pra eu colocá-lo em cima da cama. Mas se antes a memória era vívida, hoje ela já é embaçada e um pouco vaga. Ao mesmo tempo que isso me traz a paz da aceitação da morte dele, também me traz tristeza, porque percebo que estou esquecendo-o.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Diário de depressão 6
As pessoas olham pra minha cara e pensam: "essa mina é ingenuazinha e não sabe de muita coisa da vida. Deixa eu passar minha lição de vida pra ela". É assim que me tratam quase o tempo todo. Até sobre mim mesma as pessoas se sentem mais capacitadas a falar do que eu.
Não me tratam como igual, não tenho credibilidade, não me levam a sério. Não consigo me expressar, não consigo compartilhar meus conhecimentos, então acabo guardando pra mim.
Não é que eu não queira ouvir e aprender com as pessoas. É que eu tô cansada de só fazer isso. Eu quero falar e ensinar também.
Mas eu tô muito fragilizada pra lutar por isso. Eu só queria que as pessoas percebessem por si mesmas e soubessem a hora de me escutar... pra minha dignidade como pessoa não morrer.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Diário de depressão 5
Pessoas se mataram recentemente. Os comentários: "a gente não consegue entender por que ela (e) fez isso". Eu não entendo como é que não entendem. Pra quem tem depressão é tão óbvio. A causa do sofrimento pode não ser a mesma, mas eu sei como é se sentir nula e não enxergar perspectivas.
"É, a gente tem que ficar atento às pessoas do nosso círculo". Eu tô aqui e vocês nem percebem. Vocês só querem dar seus conselhos de merda.
O D. tinha tantos mais problemas que eu. E aguentou por tanto tempo até desistir. Penso que eu me mataria por bem menos.
Tenho medo de que algo mude drasticamente na minha vida e eu não saiba lidar. Minha hiper sensibilidade é como uma arma apontada contra minha cabeça.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Diário de depressão 4
Frequentemente eu acredito que não vou sair dessa situação nunca. Tô estagnada, conformada, desanimada. Não consigo nem arrumar meu quarto. A bagunça dele reflete a bagunça da minha mente. Quando eu deito me sinto afundando no colchão.
terça-feira, 27 de junho de 2017
Diário de depressão 3
Hoje eu consegui falar um pouco do que tava preso na garganta e fazer notarem minha existência, mas também senti o peso do desprezo, do cinismo e da manipulação me esmagarem sem que eu conseguisse me defender.
E me culpo por não conseguir me defender direito, por ser uma presa tão fácil e previsível pra gente tóxica. Me pergunto até quando terei que sofrer pra conseguir meu espaço de direito no mundo, meu direito de existir, de existir do jeito que sou, não do jeito que querem.
Se eu continuar resistindo nessa vida, me indago se meu futuro é ser uma pessoa amarga e desprezível como forma de não ser mais pisada pelas pessoas. Me indago se essas pessoas que hoje me machucam também não já foram sensíveis e, de tanto os outros lhe baterem, se tornaram isto.
Como sobrevive a sensibilidade? Em que tipo de fortaleza ela habita?
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Diário de depressão 9
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